• Variedades
  • 08/04/2010
  • Nos Bastidore da Funasa
  • Cacique já alertava para desvios e influência de Bezerra
  • A deflagração da Operação Hygeia pela Polícia Federal nesta quarta (7) apenas confirmou o que as lideranças indígenas em Mato Grosso já denunciavam há tempos: o desvio de recursos destinados a programas de saúde nas aldeias por servidores da Fundação Nacional de Saúde (Funasa)
  • Simone Alves
  • RD News/Midia News
  • Desde o ano passado, em visitas ao RDNews, o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena, cacique Edmundo Omore, já alertava para a influência do deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) sobre os contratos firmados com a Fundação, em especial o Instituto Creatio. A Oscip passou a atender em aldeias indígenas em 2009, em substituição à Fundação UFMT.

       Após as detenções de servidores da Funasa e de três peemedebistas ligados a Bezerra, Omore demonstrou otimismo com a ação dos policiais federais, mas, como não poderia deixar de ser, lamentou que o rombona Funasa, estimado em R$ 200 milhões, possa ter contribuído para a morte de milhares de índios em todo o país.

       O cacique disse que já estava na hora da Funasa esclarecer para onde vão os recursos destinados à saúde indígena. Omore representa nove terras onde moram 15 mil índios no Vale do Araguaia.Espero que a polícia chegue ao ponto final das investigações, apontando quem são aqueles que dormem em cima dos recursos voltados para manutenção da comunidade indígena cobrou.

       Segundo ele, a gestão da Funasa tem perfil político e não técnico, o que facilita atos ilícitos. Ele chega a citar o exemplo de um apadrinhamento político. “As influências políticas são visíveis. O próprio coordenador da Funasa em Mato Grosso, Marco Antonio Stangherlin, é afilhado político do Carlos Bezerra”, denunciou. A expectativa do indígena é que o gestor colabore com as investigações para sanar outras irregularidades. “Espero que o Marco Antonio aproveite para ajudar a polícia a esclarecer o ocorrido”.

       Omore está em Brasília para avaliar diretamente o impacto da operação da PF nas políticas públicas. Se confirmado o rombo, poderá ser implementada um secretaria específica para atendimento à saúde indígena. Segundo ele, existe uma medida provisória que prevê a transferência do atendimento ao índio para o Ministério da Saúde, por meio de criação de uma pasta. A MP já foi publicada em Diário Oficial da União, mas há necessidade que um decreto presidencial institua o departamento.A Funasa é página virada. Não conseguem atender a demanda e um dos motivos é o desvio de dinheiro, reclama Omore.

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